Alta do milho deve reduzir margens da indústria de aves

Alta do milho deve reduzir margens da indústria de aves

O momento é favorável para os produtores globais de proteínas. A peste suína africana tem elevado a demanda na China e os preços de vários tipos de carne, da bovina à suína. No Brasil, no entanto, a alta no preço do milho pode pressionar as margens da indústria de frango.

O preço do cereal tem subido no mercado interno em meio a exportações recorde, estimulada por uma safra abundante e pela desvalorização do real. O grão nacional está barato para os importadores, mas a maior demanda significa preços mais caros para empresas locais que utilizam o produto como ração animal. Para indústrias de aves como a BRF e a Seara, unidade de frangos e suínos da JBS, os custos maiores podem comprimir as margens de lucro.

A razão entre os preços do frango e da ração — uma métrica da rentabilidade do setor — caiu para o menor nível em oito meses, de acordo com dados compilados pela Bloomberg. A maior parte do custo de produção de aves vem da alimentação.

O preço do milho brasileiro subiu cerca de 20% desde o início de setembro para a maior cotação desde junho de 2018, diante da força das exportações e da expectativa de safra menor no ano que vem. Enquanto isso, o preço do frango no mercado doméstico ficou praticamente inalterado no período, em meio a exportações abaixo do previsto e alta dos estoques, segundo informações do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Universidade de São Paulo (Cepea-USP).

Até 5 de outubro, agricultores brasileiros haviam vendido 65% da safra de milho 2018-19. Agora, seguram a produção acreditando numa alta de preços, segundo o analista Paulo Molinari, da consultoria Safras & Mercado. Isso pode manter os custos elevados para produtores de frango, mesmo com os estoques de passagem de milho em níveis confortáveis.

“O Brasil tem ampla oferta, mas os estoques estão nas fazendas”, disse Molinari. “Se estivessem nas mãos dos consumidores, os preços não estariam subindo tanto.”

A compressão de margens é mais provável na produção de aves do que na de suínos em razão de diferentes condições de demanda, disse Juliana Ferraz, analista do Cepea.

As exportações de frango diminuíram nos últimos três meses, ampliando os estoques. Por outro lado, as vendas e os preços da carne suína estão robustos após a peste suína africana se espalhar e dizimar rebanhos na China, aumentando a necessidade de importações.

“Os preços da carne suína estão subindo com intensidade muito maior do que os insumos, como o milho e o farelo de soja. Já as perspectivas para os produtores de frango não são tão confortáveis porque as exportações estão abaixo das expectativas”, disse a analista em entrevista por telefone.

Fonte:Bloomberg    Foto DP