Artigo:A responsabilidade nossa de cada dia...

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Com o advento da internet que possibilitou que pessoas comuns tivessem não apenas seu perfil exibido publicamente, para quem tiver o acesso e o interesse de ver, também temos visto muitas pessoas dando vóz a sua opinião, verbalizando o que pensam ser correto, ou necessário para promover mudanças em nosso país.

Essas opiniões que são amplamente divulgadas através das redes sociais, são muito mais pulsantes quando manifestam ideologias políticas, críticas referentes a educação e certos comportamentos sociais.

Críticas e mais críticas...

Uma enxurrada de formas de pensamentos que muitos divulgam na tentativa de fazer valer sua vóz e opinião. Muitos dos quais literalmente e de forma categórica, comportam-se como se fossem portadores de verdades e não temem em expressar seu pensamento, em prol ou contra, de um partido contrário, de um comportamento sexual contrário ou de alguma cultura desconhecida...

As palavras ecoam fortes, e, muitas vezes, evidenciam o pouco embasamento na formação da crítica, assim como, a falta de compreensão ao que é relativamente contrário a postura de cada um. Mas, mais do que isso, estes apontamentos vêm evidenciando a nossa inabilidade em conversar, em tentar entender, o porquê do outro indivíduo estar pesando diferente e grita de forma estridente o quanto achamos que a responsabilidade, seja no criar ou no modificar, pertence sempre ao outro. E dentro deste universo, raramente temos visto aqueles que se declaram responsáveis por fazer com que as mudanças aconteçam.

É comum lermos ou vermos vídeos nas redes sociais de pessoas que se propuseram a fazer uma boa ação, e é sempre possível, ler nos comentários de tais bons exemplos divulgados frases como estas: “Que muito mais pessoas como estas apareçam”, ou “O Brasil ainda tem jeito”, etc... É triste, mas raramente se percebe alguém dizendo: “Que possamos ser alguém assim, portadores do bem, que pensam no próximo e que fazem, o que na maioria das vezes é apenas nossa obrigação”!!!

Achamos que a responsabilidade é sempre de quem é político, de quem é padre ou pastor, de quem é autoridade, e esquecemos que o social é feito de muitas peças fragmentadas, que somos todos nós, e que sem o engajamento da grande massa, que infelizmente não percebeu ainda que comanda, que não é comandada, não há mudanças que possam ser de fato transformadoras.

E o que é pior, diante de tantas críticas e responsabilizações daquilo que não conhecemos, temos vitimado e mal compreendido pessoas e classes trabalhadoras, criando um efeito dominó, que divulga o fato do problema sempre ser do outro, mas nunca ser nosso...

Fala-se tanto em altos encargos tributários, em aposentadorias e cargos cujas remunerações são extremamente altas, em obras superfaturas, mas nunca se vê uma sociedade que se diz “organizada”, composta de milhões de brasileiros, se unir para lutar por aquilo que julga ser justo. Se conseguimos unir multidões por dias consecutivos para comemorar carnaval ou jogos de futebol, tenho certeza que conseguiríamos nos unir também para reivindicarmos um país mais justo e com mais respeito ao povo brasileiro.

Fala-se tanto na má qualidade da educação, na má formação do professor. Mas esquecem que sem disciplina e dedicação é impossível alcançar bons resultados. Prova disso é vermos o exemplo do menino Thompson Vitor, um garoto de 15 anos, que em 2015 passou, em primeiro lugar, com nota memorável no IFRN. O adolescente de origem extremamente pobre, conseguia livros para ler com a ajuda da mãe semianalfabeta, que sendo catadora de lixo, pegava os livros que fora descartado por quem tinha condições de comprá-los, e, sempre que os encontrava; levava-os para casa, primeiramente lendo para os filhos o pouco que compreendia, ensinado assim, as crianças o gosto e a importância pela leitura e os estudos.

As pessoas precisam aprender que bons resultados nem sempre estão condicionados a inteligência privilegiada, mas em sua grande maioria, está relacionada a disciplina e dedicação. Por que que não ouvimos uma pessoa que não vai na academia reclamar que seu instrutor era muito ruim e por isso não conseguiu bons resultados? Pelo simples fato de que temos plena consciência que se não fizermos os exercícios propostos e se não tivermos disciplina para buscar os resultados almejados, de nada adianta pôr a culpa no educador físico, uma vez que a este profissional só tem a incumbência de mostrar o caminho, mas jamais de fazer aquilo que precisa ser feito pelo próprio aluno...

Ora pois gente, convenhamos!!! Cérebros não são diferentes de corpos.

De igual forma, vemos esta concepção idiota, espalhada não só entre os adolescentes, mas entre os brasileiros em geral, de que estudar é chato! Penso que fazer cirurgias ou ir ao dentista, também é exatamente chato, mas se não fizéssemos isso, morreríamos por problemas que muitas vezes são simples e estaríamos por aí, exibindo dentes pobres ao sorrirmos.

Brasileiro e principalmente o mato-grossense, não lê, não busca o conhecimento e como consequência, estamos colhendo o amargo fruto tão facilmente ofertados pelo comodismo e a ignorância.

Por isso que é extremamente importante, termos na consciência que apesar de pequenos e desconhecidos, somos peças importantes no processo de mudança e melhoramento do nosso país.

Se quisermos ver coisas melhores temos que ofertar o melhor de nós e ter a inteligência de perceber que nada acontece se não formos capazes de fazer acontecer. E isso não diz respeito apenas ao profissional da educação não, mas ao aluno que frequenta a sala de aula diariamente.

É difícil? Com certeza que é! Mas como sempre digo para meus alunos quando estes reclamam de fazer uma determinada tarefa: “Ninguém está pedindo para fazer o impossível, apenas para fazer o melhor que puder”!

Por Néli Petal/Escritora

Néli Petal é formada em Letras pela UNEMAT, pós-graduada em Ensino da Língua Inglesa pelo ISEIB e autora do livro A Professora – Uma História de Amor, disponível em: http://a.co/d/3SbMgvd
 
Da Redação:Edenir Vieira/Jornalista https://painelagroeconomico.com.br