Artigo:Um Feliz Capitalista Natal... OH, OH, OH!

Artigo:Um Feliz Capitalista Natal... OH, OH, OH!

Este ano foi um ano puxado, daqueles difíceis mesmo! Basta olhar para trás e fazer uma retrospectiva das coisas que tivemos que enfrentar. Basta conversar com nossos amigos para perceber que cada um enfrentou, ou ainda enfrenta, uma luta pessoal.

Mas o que mais percebo que tem tirado o sono e a paz de muita gente, é esta rotina que temos vivido ultimamente. Em um mundo onde se prima cada vez mais por excelência, somos obrigados a darmos um pouco mais de nós mesmo, em prol da lucratividade que enriquecem alguns e escraviza a muitos.

Estamos nos tornando visitantes de nossos lares, conhecidos de nossos filhos, almoço mensal de fim de mês da casa de nossos pais, sexo ocasional de relacionamento; mesmo aqueles ditos como “estáveis”.

Enfim, estamos esquecendo nosso lado humano! Não temos mais tempo!

Aliás, tempo virou algo tão precioso quanto a moeda corrente, e quem tem os dois, mesmo que seja em uma proporção para apenas sobreviver com tranquilidade, pode-se dizer, neste mundo de correrias e desgastes, que é o ser mais afortunado da terra!

E não estou aqui querendo ser fatalista ou apocalíptica, mas vejo pais que mal tem tempo de perceber o que está acontecendo na vida dos filhos, por que estão sempre correndo....

Correndo para garantir a comida o e o aluguel no final do mês...

Correndo para garantir os estudos e quem sabe um plano dentário...

Correndo para vestir, para calçar...

E nesta correria louca de uma sociedade que precisa a cada dia mais consumir, porque consumir gera mais empregos, gera mais lucro, e quanto mais nós consumimos mais coisas inúteis nós temos, mas afinal de contas são todas coisas que precisamos, e por isso, nós trabalhamos e trabalhamos muito, para garantir aquele pouco que nos dá a sensação de ter alguma coisa...

E neste mundo louco onde ter é ser, apagaram-se a chama das rodas de conversas, que hoje em dia só acontecem, geralmente nos barzinhos, regadas a bebidas de álcool, a conversas exibicionistas. As pessoas não se visitam mais, aliás, visita só com hora marcada, por que afinal de contas, todos trabalhamos tanto! Não temos mais tempo para sequer conhecer o nome dos nossos vizinhos.

Não temos tempo para entender ou perceber que aquele companheiro de trabalho, ou aquele amigo de infância, hoje já não sorri mais e sem comentar com ninguém, toma os remédios controlados escondidos, porque precisa tratar uma depressão, provocada muitas vezes, pelo cansaço de uma rotina exaustiva, em que muito tem que se doar, para tão pouco receber.

De igual forma, hoje vemos jovens, deprimidos, sentindo-se imensamente solitários, na carência de pais ausentes e na solidão provocada por uma humanidade que ultrapassa a casa das 7 bilhões de pessoas.

Pessoas que são capazes de se conectar com o outro lado do mundo, de inventar mundos imaginários fantásticos, mas que são incapazes de lidar com conflitos que acontecem muitas vezes dentro de si ou da própria família...

E nesta busca incessante por produção de excelência, estamos nos esquecendo de gerar seres humanos mais humanos! Aqueles indivíduos que geralmente só são lembrados nesta época festiva de Natal. Porque só nesta época, de alguma forma, procuramos priorizar a família e de alguma forma, ainda nos lembramos que mais que ter, nós precisamos ser, e mais que produzir, nós precisamos mais é fazer!

Por isso, em tempos de Natal cada vez mais consumista e capitalista, desejo que todos sejam mais perceptivos a necessidade do outro, e doem, e visitem, e vivam a família que têm, os amigos que tem, os vizinhos que têm... E que todos façam o bem, façam a diferença na vida de quem muitas vezes só precisa de um pouco de atenção e do nosso sagrado tempo!

Desejo, do fundo do meu coração, que as pessoas se deem conta que apesar de sermos quase 7 bilhões de pessoas, ainda somos indivíduos, únicos, especiais, e que, acima de tudo, nos lembremos que sem a pieguice de um sentimento chamado amor, que vem sempre carregado daquilo que ouvimos falar que alguém tem; a compaixão, nós não passamos de meros seres, feitos de carne e de osso, mas que precisamos amar, para só assim, possuir uma alma.

Por isso, que neste fim de ano, possamos lembrar que amar e doar, devem ser práticas constantes do ano todo. Estes gestos de generosidade são de graça e só enriquecem aquele a quem realmente pratica.

E que não esqueçamos de ter fé. Fé naquele que nunca desistiu de nós e que por amor a estes seres tão falhos, morreu na cruz para salvar aquilo que hoje, sem perceber, estamos condenando: a nós mesmos!

 

Por Néli Petal/Foto G1/Redação Painel Agro.