ILPF ajuda a triplicar produtividade da pecuária brasileira

ILPF ajuda a triplicar produtividade da pecuária brasileira

O economista agroindustrial da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da Universidade de São Paulo (USP), Thiago Bernardino de Carvalho, afirmou que o sistema de Integração Lavoura, Pecuária e Floresta (ILPF) ajudou de forma significativa a triplicar a produtividade da pecuária brasileira. Os dados fazem parte da palestra do economista intitulada “Agronegócio Brasileiro: Desafios e Oportunidades”. 

De acordo com Carvalho, enquanto a pecuária tradicional consegue uma produção de aproximadamente 8 arrobas por hectare, a média de produtividade com o uso de ILPF pode chegar a 24 arrobas. Segundo ele, um planejamento intensivo e uma reformulação de manejo são fundamentais para que o pecuarista consiga produzir mais e com melhor qualidade. 

“Só que, para se atingir esse patamar de elevada produtividade, o produtor necessita alterar toda a gestão do seu negócio, pois nesse sistema tudo é diferente. Desde a parte financeira, passando pela forma de correção do solo até o processo de capacitação dos profissionais”, comenta.  

No entanto, Carvalho alerta que para garantir o bom funcionamento e implantação do sistema será preciso quebrar alguns preconceitos existentes em relação ao agronegócio. Além disso, existem questões políticas e burocráticas que também precisam ser investidas e regularizadas a fim de garantir uma maior segurança para se fazer qualquer investimento na área. 

“Claro que temos grandes desafios pela frente: são gargalos na área de infraestrutura e logísticas, incertezas em questões jurídicas, além de uma visão equivocada por parte de um segmento da sociedade, em relação, por exemplo, aos defensivos agrícolas”, completa. 

Dentre os principais desafios, segundo ele, se destaca a análise superficial que a sociedade impõe sobre o uso dos agroquímicos. Ele lembra que apesar de um estudo da Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef) mostrar que, de 1960 até 2014, houve uma redução de 160 vezes nos níveis de toxicidades dos defensivos utilizados nas lavouras do País, ainda há muito desconhecimento na área. 

“No entanto, o que se vê na discussão é uma campanha de desmerecimento do produtor rural, que é classificado, por certo segmento da sociedade urbana, quase como um vilão”, conclui. 

Por: AGROLINK -Leonardo Gottems